Rock,Folk&Afins

30 de maio de 2020

+Lucinda Williams lança mais um discaço!
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Por Rodrigo Bastos Sant’Ana
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A cantora e compositora norte-americana Lucinda Williams está de volta com seu novo disco, “Good Souls Better Angels”, décimo quarto álbum de estúdio de sua respeitável trajetória, lançado, corajosamente, neste período em que o mundo atravessa a pandemia do coronavírus. A sensacional cantora e instrumentista de 67 anos, foi três vezes vencedora do Grammy, e está numa nova fase de sua carreira, desde 2014, lançando discos pelo seu próprio selo, Highway 20 Records, este já é o quarto álbum dessa empreitada. Lucinda Williams fez muito sucesso em uma jornada iniciada há 41 anos. Lançou discos de diferentes estilos, mas consagrou-se com o alt-country ainda nos anos 1990, no disco “Car Wheels on a Gravel Road” (1998). Nos anos 2000 foi em direção a um som mais calcado no folk-rock, lançando álbuns excepcionais como “World Without Tears” (2003) e “West” (2007), ambos pela extinta Lost Highway Records. No novo disco, quase que inteiramente gravado ao vivo em estúdio, com sua atual banda; a cantora, com seus violões e guitarras é acompanhada por Butch Norton, bateria, David Sutton, contra-baixo e Stuart Mathis na guitarra. Uma banda eficiente e concisa, sem adição de teclados ou lap- steel. Daí a sonoridade orgânica e com dois pés no rock’n roll.
E o disco faz uma imersão no roots rock, blues, e no folk rock. “You Can’t Rule Me” abre o trabalho num blues rock básico e mostra o entrosamento do quarteto que a acompanha também nos shows. Na sequência vem “Bad News Blues”, também em compasso de blues, a canção é uma crônica sobre a deteriorização da sociedade moderna em larga escala. Aliás, esse tema está presente em outras canções como “Wakin’ Up, uma espécie de valsa rap. “Big Rotator” também vai nessa linha.  “Bone of Contention” é outra canção forte, começa com uma levada firme de bateria, guitarra wah wah e riff em overdrive. “Down Past the Bottom” completa essa metade de canções do disco que vão para o lado mais puro do Roots Rock em questão.
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Acento Folk
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A outra metade do disco é uma viagem pelo folk rock. “When the Way Gets Dark”, por exemplo, poderia ser uma das faixas de “World Without Tears”. Uma canção notívaga com ambientação característica. Guitarras telecasters estaladas, tremolo, alavanca, e os versos em rima: “When the Way gets Dark/ Will you Loose your Spirit/ Will you Loose your Heart”. “Big Black Train” é uma das canções essenciais do disco; que está sendo lançado tanto em CD quanto em LP , e está também no Spotify.  O disco tem muito a ver com esse periodo de quarentena; de fragilidade e incertezas, devido seu alto valor reflexivo com canções que mostram a perspectiva da poetisa, cronista das mazelas da sociedade moderna. “Good Souls” mais um tema folk, encerra o disco em tom menor, e é a canção que inspira o título, “Keep with the better angels/ Keep with the Good souls/ In the Hands of Saints”. Esse álbum mostra que se encaixa bem na discografia de Lucinda, e pode ser também, a porta de entrada para o trabalho dessa obstinada cantora e compositora.
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artigo publicado por popmix
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